Numa altura em que as organizações políticas, que participaram nas Eleições Gerais de 24 de Agosto último, encontram-se em introspeção face aos resultados anunciados, o partido político Bloco Democrático (BD) reiterou, em Luanda, o seu compromisso para a mudança do poder política em Angola.
“Renovado o compromisso do Bloco Democrático em manter a chama da luta e do discernimento político para contribuição da viragem da situação política nacional, os desafios de Angola desaguam na palavra Mudança. Compete-nos a todos desenhar esta mudança na base duma verdadeira alternativa”, disse o Presidente do BD, Dr. Filomeno Vieira Lopes, durante o discurso de abertura.
O prometimento foi feito por ocasião do 1° Colóquio Nacional sobre o Percurso Político dessa organização política, em alusão ao 12° aniversário do Bloco Democrático, o evento aconteceu em Novembro de 2022, no auditório das Irmãs Paulinas, bairro Vila Alice, consubstanciado ao lema: Construir pontes para fortalecer a Cidadania.
Aprazidos com um momento cultural, a organização agradeceu os seus membros, amigos e simpatizantes, especialmente a todos aqueles que ao longo dos tempos construíram o Partido e o afirmaram na cena política nacional e internacional.
Descrito, sobretudo, como um partido de causas, debruçou-se também sobre o papel do BD, criado no dia 20 de Outubro de 2010, na fundação da Frente para a Democracia (FpD), concepção da Associação Cívica de Angola (ACA) e no contributo dos seus membros no processo de democratização de Angola. Mais ao fundo, falou-se da geração síntese que deu corpo ao Bloco Democrático e que teve um grande papel nos acontecimentos sociais de 1974, cedendo espaço a independência do povo angolano.
As aspirações dos protagonistas do BD foram caracterizadas como sendo o sonho de uma Independência de facto nacional e da juventude, o grito de liberdade de gerações mais velhas entrecruzados, destruídos pelos acontecimentos dependentes da oposição mútua, historicamente construída, dos movimentos de libertação nacional associada à geoestratégia; À juventude, em particular, seriamente combatida; Prisões, ditadura e emergência de sentimentos de classe. Cultura, política e a luta pela libertação dos presos políticos; A tríplice acção num contexto de opressão profunda: Cultura, sociedade e política.
Os presentes no evento tiveram o privilégio de ouvir dos protagonistas várias lições de experiências políticas antes e após a Independência Nacional.
Sendo protagonistas da Associação Cívica de Angola (ACA) em 1974, partilharam testemunhos de percursos guiados por valores democráticos e sobre as lutas internas no interior do movimento de libertação nacional.
O Bloco Democrático, um partido político fortemente ligado a personalidades e grupos da sociedade civil, revelou ter mantido a coerência do compromisso e do percursos dos seus membros com a sociedade desde a criação da ACA, passando pela Frente para a Democracia (FpD), durante o conflito armado e o regresso às eleições em 2008. O Bloco Democrático surgiu em 2010 após a autoextinção da FpD por parte de uma geração resiliente que apesar das adversidades do poder, ergueu-se e caminhou até os dias de hoje.
Quanto às últimas Eleições Gerais realizadas em Angola, o Presidente do BD afirmou que os resultados mostraram a vontade do povo em mudar e que o caminho está traçado, precisando apenas da “expertise” suficiente para alcançar o objectivo.
Acrescentou que Angola ainda não atingiu a fase da maturidade democrática.
“Sem eleições transparentes não há poder alicerçado no povo. Com a Constituição atual, não há definitivamente um ordenamento jurídico pelo povo, e sem autarquias locais não há poder para o povo, sendo que a trilogia que permite compor um Estado verdadeiramente democrático: poder do povo, pelo povo e para o povo, não existe em Angola” disse.
Vieira Lopes criticou o controlo das instituições pelo partido estado, a repressão sobre os contestatários, a falta de oportunidade para quem quer contribuir, o privilégio dos militantes do partido, a corrupção política e económica que compõem a malha da realidade política.
Reiterou que sendo o Bloco Democrático parte integrante da Frente Patriótica Unida (FPU), a estratégia criou uma oportunidade única de renovação da esperança, galvanizando todos os sectores sociais do país, ganhando as eleições de 2022 no voto popular, onde o candidato a Presidente da República, Eng. Adalberto Costa Júnior, soube passar a mensagem e ganhar o coração do povo.
“Por isso, em 2023, deveremos ser capazes de pressionar o regime a permitir eleições autárquicas, com alteração da composição da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) e do Tribunal Constituição (TC). É um foco de luta fundamental para não retardar mais as possibilidades de mudança”, afirmou.
O líder do BD garantiu que se haver continuidade em unidade, mesmo em circunstâncias de um poder sofisticado, vai se conquistar a desejada democracia, rumo ao bem-estar para todos os angolanos.
O 1° colóquio do Bloco Democrático terminou com uma homenagem certificada de algumas figuras do partido, o acompanhar da voz em coro de “Liberdade, Modernidade, Cidadania”.